Preso desde setembro de 2025 sob suspeita de envolvimento em um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, prepara uma proposta de delação premiada.
De acordo com a coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, Careca sinalizou que poderá incluir na suposta delação informações sobre negócios e interlocuções atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Careca teria mencionado tratativas nas áreas de educação e saúde, além de articulações empresariais que, segundo ele, poderiam ter relação indireta com o ambiente de contratos investigados no caso do INSS. As informações comprometeriam em cheio Lulinha.
Até o momento, não há acusação formal contra o filho do presidente no âmbito da investigação. A eventual inclusão do nome dele em um acordo dependerá da apresentação de elementos concretos e de validação por provas independentes, como exige a legislação sobre delações premiadas.
Conforme o Metrópoles, Lulinha se mudou para Madri, na Espanha, assim que as investigações sobre o esquema no INSS avançaram. Ele nunca comentou o assunto publicamente. Coube ao pai falar pelo filho.
“Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhe no olho do meu filho e falei: ‘Você sabe a verdade, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda”, disse Lula ao Uol.
Na mesma entrevista, o presidente disse que defendeu a instalação da CPMI do INSS e que o esquema só veio à tona por conta de esforços do seu governo. Porém, Lula omitiu a movimentação da base de apoio de seu governo contra o trabalho no Congresso, sobretudo no que diz respeito a Lulinha.
O caso é analisado no STF (Supremo Tribunal Federal), sob relatoria do ministro André Mendonça, porque envolve autoridades com foro privilegiado. A aceitação de eventual acordo caberá à PGR (Procuradoria-Geral da República) e à homologação do Supremo.